Postado por [email protected] em 03/set/2026 -
Estudo do Trata Brasil aponta aumento da pressão sobre os recursos hídricos em Manaus e alerta para o papel da indústria na ampliação da adesão ao sistema público de abastecimento.
Mesmo localizada na região amazônica, onde está a maior bacia hidrográfica do mundo, Manaus enfrenta riscos para a segurança hídrica nos próximos anos. Os impactos das mudanças climáticas e o uso indiscriminado de poços subterrâneos podem levar a capital do Amazonas a atingir níveis críticos de abastecimento até 2040.
É o que indica o estudo inédito “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, produzido pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados. A pesquisa foi apresentada na manhã desta quinta-feira (03), durante evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Luana Pretto (Instituto Trata Brasil), Gesner Oliveira (CEISAFGV), Régia Moreira (CIEAM) e Pedro Augusto de Freitas (Águas de Manaus)
Entre os principais pontos destacados pelo estudo está a necessidade de diversificar a matriz hídrica para reduzir os impactos da estiagem e do alto consumo de águas subterrâneas no abastecimento da capital do Amazonas. A estimativa é de que haja mais de 27 mil poços em operação na cidade, enquanto apenas 5 mil estão registrados pelos órgãos de controle.
De acordo com o estudo, a adesão à rede pública de abastecimento é uma alternativa para reduzir a dependência dos poços. Nesse contexto, a indústria tem um papel fundamental, uma vez que parte do setor ainda utiliza água de captação subterrânea para operar.
A pesquisa aponta que a adesão das indústrias ao sistema público de abastecimento tende a reduzir os custos fixos do sistema, viabilizando o subsídio cruzado que garante tarifas mais baixas às categorias residencial, social e vulnerável, com benefícios para a população em geral.
Para Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, o desafio da água está diretamente ligado ao planejamento. “Segurança hídrica se constrói com planejamento e mitigação de risco, e o caso de Manaus mostra isso com clareza. A cidade depende fortemente do Rio Negro, mas também recorre a poços que muitas vezes operam sem outorga e sem controle adequado. Investir hoje em reúso, uso racional e controlado dos poços, monitoramento e proteção de mananciais reduz riscos para a população e para as empresas. É assim que o país avança rumo à universalização do saneamento, com responsabilidade e visão integrada”, destaca.
O diretor-presidente da Águas de Manaus, concessionária que atua na capital, Pedro Freitas, entende que a região vive um momento decisivo para o evitar os riscos de desabastecimentos a médio prazo. Ele participou do debate sobre o estudo em São Paulo. “Estamos empenhados em mobilizar os mais diversos setores nesse tema porque sabemos que o saneamento é um desafio coletivo. Isso passa por ampliar a conscientização sobre a diversificação da matriz hídrica de Manaus, avançar no combate às perdas e preservar as nossas fontes naturais de água”, afirma.

Pedro Augusto de Freitas, diretor-presidente da Águas de Manaus
Para ele, o papel da indústria é fundamental para ampliar a adesão ao serviço público de abastecimento e garantir a sustentabilidade do sistema. “Os setores públicos e privados, assim como a população, podem contribuir para ampliar o acesso à água com qualidade e segurança ao aderirem ao sistema. Este estudo demonstra, em especial, como a adesão do setor industrial à rede de abastecimento pode gerar uma cadeia de benefícios, incentivando outros segmentos a também se conectarem à rede e promovendo um uso mais sustentável dos recursos hídricos”, defende.
Postado por [email protected] em 20/mar/2023 -
Dados são referentes a 2021. Hoje, capital tem serviço de água universalizado e crescimento de 40% na cobertura de esgoto.
Manaus é a capital do Norte que mais recebeu investimentos em saneamento básico no Brasil nos últimos cinco anos. A cidade também está entre as sete maiores do país em volumes de investimentos no período, superando R$ 1 bilhão em recursos aplicados no setor. Com isso, a cidade já avançou 15 posições no Ranking do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, desde o início das operações da Águas de Manaus, saindo da colocação 98 para a 83 no estudo divulgado nesta segunda-feira (20).
Vale destacar que o ranking utiliza dados com defasagem de dois anos – ou seja, o estudo de 2023 tem indicadores do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do ano de 2021. Com isso, parte das melhorias realizadas desde a chegada da Aegea em Manaus, nos últimos anos, ainda não foi computada no material divulgado pelo Trata Brasil.
No ranking, também é possível verificar que Manaus segue como uma das capitais com maior avanço na cobertura de água. Hoje, o serviço está universalizado, com a chegada a regiões vulneráveis, como becos, palafitas e rip-raps, que passaram a ter acesso à água tratada pela primeira vez. Por meio de ações de relacionamento e de estudos minuciosos, as equipes trouxeram para a ponta uma população que antes não era enxergada. Seguimos acompanhando o crescimento vegetativo da cidade.
Para alcançar a universalização do serviço, a empresa fez um trabalh
o percorrendo todos os bairros de Manaus para mapear locais que não possuíam abastecimento regular. Foram implantados mais de 200 mil metros de novas tubulações de abastecimento, para garantir água tratada de qualidade em locais como becos, palafitas e rip-rap, adaptando as estruturas à geografia de cada local.
Já a cobertura de esgotamento sanitário cresceu 40% nos últimos anos, chegando atualmente a 26% da capital. A previsão é que o serviço seja universalizado nos próximos anos, beneficiando aproximadamente 2 milhões de habitantes. O serviço também está chegando às áreas vulneráveis. Recentemente, a Águas de Manaus implantou um projeto inédito no país em uma comunidade de palafitas, o Beco Nonato, localizado no bairro Cachoeirinha, na zona Sul.
Até 2039, a Águas de Manaus prevê R$ 4,4 bilhões em investimentos. Até 2027, o montante será de R$ 1,8 bilhão.