Com foco na população vulnerável, Manaus avança e garante saneamento a quem esperou décadas pelo básico

Postado por Daniele Brito em 19/maio/2026 - Sem Comentários

Investimentos superiores a 2 bilhões no sistema alcançam impactos positivos em uma das cidades que mais se expandiu no país.

A rotina de mais de mil moradores da comunidade indígena urbana Fortaleza Kokama, no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus, mudou radicalmente no mês de abril deste ano. Formada por famílias de seis etnias diferentes, a comunidade passou a contar com um serviço essencial, básico, mas que ainda parecia distante da realidade dos moradores desde a sua criação: água tratada. As ligações improvisadas e as dificuldades diárias para ter água em atividades básicas deram lugar a um cenário mais digno e saudável, como descreve a cacique Geisiany Pimenta.

“Nós mesmos fazíamos as ligações, mas como era um material frágil, sempre quebrava e a água acabava sendo poluída. As pessoas não tinham sequer um chuveiro, porque a água precisava ser armazenada em baldes. Hoje, temos água limpa 24 horas por dia. Podemos tomar banho de chuveiro, abrir uma torneira para lavar louça, fazer comida. Isso tudo é dignidade para nossa gente.”

Cacique Geisiany Pimenta, moradora da comunidade Kokama

 A situação enfrentada por anos pela comunidade Kokama pode parecer contraditória quando se observa que Manaus é uma metrópole no coração da Amazônia, cercada de recursos naturais e detentora do quinto maior PIB entre as capitais estaduais brasileiras, segundo o IBGE. No entanto, a forma como a cidade se expandiu desde a criação da Zona Franca de Manaus, em 1967, explica por que o “básico” ainda não chegou a todos os cantos da capital amazonense. A cidade saltou de cerca de 300 mil moradores nos anos 1960 para mais de 2,3 milhões atualmente. É uma das expansões urbanas mais aceleradas do país. Segundo o Censo 2022 do IBGE, Manaus foi a grande capital brasileira que mais cresceu populacionalmente entre 2010 e 2022, com aumento de 14,5% no período. Essa expansão trouxe progresso e riqueza, mas também gerou desafios: dados do IBGE também indicam que mais de 55% da população vive em áreas vulneráveis, cenário que ampliou o esforço necessário para garantir acesso universal ao saneamento básico.

 Este processo vem sendo enfrentado desde junho de 2018, quando a concessionária Águas de Manaus, uma empresa Aegea, assumiu os serviços de água e esgoto da capital. A população vulnerável tornou-se foco central da companhia, e uma série de programas foi implantada para garantir água e esgoto tratados e tarifas adequadas à realidade de cada comunidade, beco, rip-rap ou palafita atendida.

Estrutura de esgoto em área de palafitas

Mais de R$ 2,3 bilhões foram investidos pela concessionária no saneamento da cidade em quase oito anos de atuação. Somente em áreas vulneráveis, mais de 200 mil moradores passaram a ter acesso à água tratada no período. A concessionária foi bairro a bairro, mapeando áreas desabastecidas e desenvolvendo soluções geograficamente adaptadas para levar água 24 horas por dia, com a pressão correta, a becos, palafitas, escadões, margens de igarapés e cenários similares.

 Em 2023, Manaus alcançou a universalização do abastecimento de água. A dona de casa Noemea Maia, mora na comunidade João Paulo, no Jorge Teixeira, e acompanhou essa mudança de perto. “Antes, a vida era muito difícil. A gente sabia que a água da cacimba não era boa, mas era o que tinha. Minhas filhas chegaram a faltar aula porque estavam doentes, e eu sabia que era por causa da qualidade da água. Desde que a água encanada chegou, nossa vida melhorou em todos os aspectos”, afirma.

Noemea Maia, moradora da comunidade João Paulo, no Jorge Teixeira

Os resultados já apresentam impactos positivos na saúde. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) apontam redução nos casos de hepatite A e diarreia entre 2018 e 2024, doenças diretamente ligadas à qualidade da água consumida.

 Novas comunidades beneficiadas

Manaus mantém um dos maiores ritmos de crescimento urbano entre as capitais brasileiras. Para preservar os índices de universalização do abastecimento, a concessionária lançou neste ano o programa “+Águas”, que concentra esforços para levar água a áreas de expansão da cidade recentemente regularizadas. Até 2029, o programa prevê investimentos próximos a R$ 100 milhões em 30 comunidades, beneficiando mais de 180 mil pessoas com água regular nas torneiras.

Programa +Águas irá beneficiar mais de 180 mil pessoas nos próximos anos

 Para garantir que o acesso ao saneamento básico não seja barrado pelo custo, a concessionária também ampliou sua política de tarifas sociais. Em 2018, cerca de 18 mil famílias eram atendidas. Hoje, mais de 140 mil famílias são beneficiadas pela Tarifa Manauara e pela Tarifa 10, modalidade destinada a famílias em situação de alta vulnerabilidade social, com valor fixo de R$ 10 por mês. Juntas, as iniciativas alcançam aproximadamente 550 mil pessoas, o equivalente a cerca de 20% da população da capital.

Uma das contempladas pelo benefício é a dona de casa Valcimara da Silva. “Nossa renda é limitada, e pagar R$ 10 pela água nos permite economizar e investir em outras necessidades. A gente consegue comprar mais um frango no mês ou trazer melhorias para o bem-estar da família”, relata.

A dona de casa Valcimara da Silva é beneficiada pela Tarifa 10

 O próximo passo: universalizar o esgoto

Com o abastecimento de água universalizado, a Águas de Manaus voltou sua atenção ao próximo grande desafio: o esgotamento sanitário. Para acelerar esse avanço, a concessionária lançou o programa Trata Bem Manaus, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões na implantação de cerca de 3 milhões de metros de redes coletoras, além da construção e ampliação de 70 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). A meta é universalizar o serviço em menos de dez anos.

Saída do esgoto tratado no igarapé Goiabinha, na Cidade Nova

Nos últimos dois anos, cerca de 300 mil metros de redes de esgoto foram implantados em bairros de todas as zonas da cidade. No final de 2025, a concessionária inaugurou a ETE Raiz, que já opera com capacidade para tratar 230 milhões de litros de esgoto por mês. Hoje, Manaus já trata mais de 63 milhões de litros de esgoto por dia, o que permite devolver o efluente à natureza de forma segura e sem contaminação.  

Estação de Tratamento de Esgoto Raiz – Foto: João Viana (Semcom)

Atualmente a concessionária atua em 60 frentes de obras distribuídas em 16 bairros. Até o fim do ano, aproximadamente 200 km de redes de esgotamento sanitário devem ser implantadas.

Obra de esgoto do programa Trata Bem Manaus

Além disso, a concessionária desenvolveu um modelo inédito para garantir esgoto tratado em áreas de palafitas. A primeira comunidade a receber a estrutura pioneira foi o Beco Nonato, no bairro Cachoeirinha, zona Sul de Manaus. Atualmente, outras quatro comunidades da mesma região já contam com a infraestrutura, e uma nova área, localizada na zona Centro-Oeste da capital, começou a receber novas frentes de obras que irão beneficiar mais de 900 moradores que vivem no local.

 Reconhecimento nacional

O esforço da cidade no setor tem recebido reconhecimento em nível nacional. Segundo o Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, Manaus é a quarta capital do país que mais investe em saneamento básico do país, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Entre 2020 e 2024 (período aferido pelo ranking do Saneamento 2026), foram aplicados R$ 1,4 bilhão em saneamento na cidade. Considerando os investimentos realizados neste primeiro semestre de 2026, o montante total já ultrapassa R$ 2,3 bilhões.  

Manaus é a quarta capital que mais investe em saneamento no Brasil

O índice de perdas de água recuou de 74,95% em 2020 para 45,25%, avanço significativo em eficiência operacional. Para os moradores que acompanham essa transformação de perto, os próximos passos chegam com uma certeza: quanto mais avança o saneamento, melhor fica a vida.

Moradores da zona Leste têm vida transformada após chegada da água em comunidade vulnerável

Postado por [email protected] em 03/abr/2023 - Sem Comentários

Após cerca de nove anos de existência, aproximadamente de 12 mil pessoas passaram a receber água tratada nas torneiras pela primeira vez

Em Manaus, moradores de áreas vulneráveis, que antes não tinham acesso à água tratada, passaram a receber estrutura da Águas de Manaus e hoje já contam com o líquido, de forma potável. A universalização do acesso à água é resultado dos investimentos que a concessionária fez na capital amazonense. Na comunidade João Paulo IV, que fica no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus, a água chegou nas torneiras há sete meses e transformou a vida daquela população.

Apesar da comunidade existir há quase nove anos, foi somente com a chegada da concessionária ao local que os moradores começaram a ter acesso a este item, essencial para a vida. “Antes a nossa vida era muito difícil. Para ter água a gente tinha que carregar no balde, fazer ligação clandestina – e corria o risco de contaminação-, ou comprar de quem tinha poço, mas mesmo assim dependíamos de ter energia para ‘puxar’ a água”, lembrou a dona de casa Noemea Maia, que mora no local com as duas filhas desde o início da ocupação.

No entanto quando a concessionária chegou na comunidade não representou apenas a chegada da água, pois através do cadastro realizado no local, essas pessoas passaram a ter também comprovante de residência. “Quando chegávamos em uma loja para fazer qualquer tipo de compra, a primeira coisa que pediam era o comprovante de residência e nós não tínhamos. Depois que a empresa entrou aqui, até isso mudou. Hoje podemos dizer que temos uma casa, com endereço certo e temos como comprovar isso”, disse Noemea.

Ao todo, aproximadamente 12 mil pessoas que vivem na comunidade João Paulo IV foram favorecidos com o acesso à água tratada. Por se tratar de uma área em condições de vulnerabilidade, todos foram incluídos na Tarifa Manauara, benefício que concede desconto de 50% no valor da tarifa de água e esgoto.

“Entendemos esta população não tem condições financeiras favoráveis e quando realizamos o mapeamento, já cadastramos todos na Tarifa Manauara. A responsabilidade social é um dos pilares da administração do saneamento que fazemos na cidade de Manaus”, destacou o relações institucionais da Águas de Manaus, Semy Ferraz.

Direito à água

João Paulo IV faz parte das mais de 30 comunidades que foram mapeadas pela concessionária para receber estrutura de água regular. A empresa buscou soluções para adaptar redes de abastecimento, fazendo a água chegar até pontos de difícil acesso, como em becos, palafitas, rip-raps e locais distantes dos grandes centros da cidade.

“Ampliamos nossos serviços para garantir que todos os manauaras tenham acesso à água tratada. Com uma equipe comprometida conseguimos universalizar o acesso à água e o reflexo disso tudo é a transformação positiva da qualidade de vida das pessoas”, ressaltou o diretor-presidente da concessionária, Diego Dal Magro.